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Fatos importantes sobre o câncer

  • 9,6 milhões de pessoas morrem de câncer todos os anos.
  • Pelo menos um terço dos cânceres comuns são evitáveis.
  • O câncer é a segunda principal causa de morte em todo o mundo.
  • 70% das mortes por câncer ocorrem em países de baixa e média renda.
  • Até 3,7 milhões de vidas poderiam ser salvas a cada ano pela implementação de estratégias adequadas de prevenção, detecção precoce e tratamento.
  • O custo econômico anual total do câncer é estimado em aproximadamente US$ 1,16 trilhão.
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O que é câncer?

O câncer é uma doença que ocorre quando alterações em um grupo de células normais no corpo levam ao crescimento desordenado e anormal, formando um nódulo chamado tumor; isso se aplica a todos os cânceres, exceto à leucemia (câncer do sangue). Se não forem tratados, os tumores podem crescer e se espalhar pelo tecido normal à sua volta ou por outras partes do corpo através do fluxo sanguíneo e pelo sistema linfático, podendo afetar o sistema digestivo, nervoso e circulatório ou liberar hormônios que podem afetar a função do organismo.

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Os tumores cancerígenos podem ser divididos em três grupos: benignos, malignos ou pré-cancerígenos

Tumores benignos não são cancerígenos e raramente ameaçam a vida. Eles tendem a crescer muito vagarosamente, não se espalham para outras partes do corpo e, geralmente, são formados por células bem similares as células normais ou saudáveis. Apenas serão um problema se crescerem muito, causarem desconforto ou pressionarem outros órgãos, por exemplo, um tumor cerebral no interior do crânio.

Tumores malignos crescem mais rapidamente do que os benignos e têm a capacidade de se espalhar e destruir o tecido à sua volta. Células de tumores malignos podem se separar do tumor principal (primário) e se espalhar para outras partes do corpo em um processo conhecido como metástase. Ao invadirem um tecido saudável na nova localização, elas continuam a se dividir e crescer. As localizações secundárias são conhecidas como metástases, e a doença é chamada de câncer metastático.

Tumores pré-cancerígenos (ou pré-malignos) descrevem a condição que envolve células anormais que podem (ou estão propensas a) evoluir e se tornar um câncer.

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Tipos de cânceres

O câncer pode ser classificado de acordo com o tipo de célula na qual se originou. Existem cinco tipos principais:

Carcinoma – Câncer que surge de células epiteliais (células de revestimento que ajudam a proteger ou envolver órgãos). Os carcinomas podem invadir tecidos e órgãos à sua volta e desenvolver metástases em linfonodos e outras áreas do corpo. As formas mais comuns de câncer desse grupo são: câncer de mama, próstata, pulmão e cólon.

Sarcoma – Tipo de tumor maligno nos ossos ou tecidos moles (gordura, músculo, vasos sanguíneos, nervos e outros tecidos conectivos que suportam e envolvem órgãos). As formas mais comuns de sarcoma são: leiomiossarcoma, lipossarcoma e osteossarcoma.

Linfoma e mieloma – São cânceres que têm origem nas células do sistema imunológico. O linfoma é um câncer do sistema linfático, que percorre todo o corpo e, por isso, pode acontecer em qualquer lugar. O mieloma (ou mieloma múltiplo) tem origem nos plasmócitos, tipo de glóbulo branco do sangue que produz anticorpos para ajudar a combater infecções. Esse câncer pode afetar a capacidade de células produzirem anticorpos de forma eficaz.

Leucemia – Câncer dos glóbulos brancos do sangue e da medula óssea, tecido que produz células sanguíneas. Existem diversos subtipos, sendo as mais comuns: leucemia linfocítica e leucemia linfocítica crônica.

Câncer no cérebro e medula espinhal – são conhecidos como cânceres do sistema nervoso central. Alguns são benignos, e outros podem se desenvolver e se espalhar.

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Causas do câncer 

Cânceres podem ter sua causa em diversos fatores diferentes e, como muitas outras doenças, a maioria dos cânceres é resultado da exposição a vários fatores diferentes. É importante lembrar que, embora alguns fatores não possam ser evitados, aproximadamente um terço dos casos de câncer pode ser prevenido com a redução de riscos comportamentais e alimentares. 

Os fatores de risco que podem ser modificados são:

Álcool – Nunca foi tão forte a evidência de que o consumo de bebidas alcoólicas podem ser uma das causas de vários cânceres. O álcool pode aumentar o risco de seis tipos de cânceres: intestino (colorretal), mama, boca, faringe e laringe (boca e garganta), esôfago, fígado e estômago [1]. Evidências sugerem que, em geral, quanto mais bebidas alcoólicas as pessoas consomem, maior é o risco de vários cânceres, e que mesmo o consumo moderado de álcool aumenta o risco de câncer.

Excesso de peso ou obesidade – O excesso de peso foi associado a um maior risco de desenvolver 12 cânceres diferentes, inclusive câncer de intestino e pâncreas. Em geral, o maior ganho de peso, especialmente em adultos, está associado a maiores riscos de câncer.

Dieta e nutrição – Especialistas consideram que dietas e a ingestão de certos alimentos, especialmente dietas ricas em carnes vermelhas, carnes processadas e alimentos com alto teor de sódio, e pobres em frutas e vegetais, têm impacto no risco de desenvolver certos cânceres, particularmente colorretal, de nasofaringe e estômago[2],[3],[4].

Atividade física – A atividade física regular não apenas ajuda a reduzir o excesso de gordura corporal e os riscos de cânceres associados a isso, mas ser fisicamente ativo pode ajudar a reduzir os riscos de desenvolver câncer de cólon, mama e endométrio[5].

Tabaco - A fumaça do tabaco contém pelo menos 80 substâncias diferentes que causam câncer (agentes carcinógenos). Quando a fumaça é inalada, as substâncias químicas entram nos pulmões, passam pelo fluxo sanguíneo e são transportadas por todo o corpo[6]. Por isso, fumar ou mascar tabaco não apenas causa câncer de pulmão e boca, mas também relaciona-se a muitos outros cânceres. Quanto mais uma pessoa fuma, quanto mais cedo começa e quanto mais tempo continua a fumar, maior é o risco de câncer. Atualmente, o uso de tabaco é responsável por aproximadamente 22% das mortes de câncer[7].

Radiação ionizante – Fontes artificiais de radiação podem causar câncer e são um risco para trabalhadores. Elas incluem: radônio, raios x, raios gama e outras formas de radiação de alta energia[8]. A exposição prolongada e sem proteção à radiação ultravioleta do sol, lâmpadas/camas de bronzeamento também podem causar melanoma e câncer de pele. Pessoas de pele clara, indivíduos com muitos sinais ou com histórico familiar de melanoma ou câncer de pele diferente do melanoma têm maior risco. Entretanto, pessoas de todos os tons de pele podem desenvolver câncer de pele, mesmo indivíduos com a pele mais morena[9].

Perigos no local de trabalho – Algumas pessoas correm risco de exposição a uma substância que causa câncer por causa do seu trabalho. Por exemplo, foi constatada maior incidência de câncer de bexiga do que o normal em funcionários da indústria química de tinturas. O amianto é uma causa de câncer bem conhecida, especialmente o câncer chamado mesotelioma, que mais comumente afeta o tecido que reveste os pulmões.

Infecção – Agentes infecciosos são responsáveis por aproximadamente 2,2 milhões de mortes por câncer anualmente[10]. Isso não significa que os cânceres possam ser contraídos como uma infecção; em vez disso, o vírus pode causar alterações nas células que as tornam mais propensas as se tornarem cancerosas.

Aproximadamente 70% dos cânceres de colo do útero são causados por infecções de papilomavírus humano (HPV)[11], enquanto o câncer de fígado e linfoma não Hodgkin podem ser causados pelo vírus da hepatite B e C[12], e os linfomas estão relacionados ao vírus Epstein-Barr[13].

No passado, as infecções bacterianas não eram consideradas agentes cancerígenos, mas estudos recentes mostraram que pessoas que têm infecção de Helicobacter pylori no estômago desenvolvem inflamação na parede do estômago, aumentando o risco de câncer de estômago.

 

Os fatores de risco que não podem ser mudados ou evitados são:

Idade – Muitos tipos de câncer se tornam mais comuns com a idade. Quanto mais as pessoas vivem, mais exposição a agentes cancerígenos ocorre, e mais tempo para que alterações genéticas ou mutações ocorram nas células.

Substâncias que causam câncer (agentes cancerígenos) – São substâncias que mudam a forma como uma célula se comporta, aumentando as chances do câncer se desenvolver. Os genes são mensagens codificadas dentro de uma célula que dizem como ela deve se comportar. Mutações ou alterações nos genes, como danos ou perdas, podem mudar o comportamento da célula, aumentando a probabilidade de ela se tornar cancerosa[14].

Genética – Algumas pessoas, infelizmente, nascem com alto risco herdado geneticamente para um câncer específico (predisposição genética). Não quer dizer que certamente essas pessoas vão desenvolver câncer, mas a predisposição genética torna a doença mais provável. Por exemplo, mulheres portadoras de genes de câncer de mama BRCA 1 e BRCA 2 têm maior predisposição para desenvolver essa forma de câncer do que mulheres com risco normal de câncer de mama. Entretanto, menos de 5% de todos os cânceres de mama são devidos aos genes. Então, embora mulheres com um desses genes sejam individualmente mais suscetíveis a desenvolver câncer de mama, a maioria dos casos não é causada pela falha hereditária de alto risco no gene. Isso também se aplica a outros cânceres comuns, para os quais algumas pessoas têm predisposição genética, por exemplo, o câncer de cólon (intestino grosso).

O sistema imunológico – Pessoas com o sistema imunológico debilitado correm maior risco de desenvolver alguns tipos de câncer. Entre essas pessoas estão indivíduos que passaram por transplantes de órgãos e tomam remédios para inibir o sistema imunológico e impedir a rejeição do órgão, pessoas portadoras de HIV, AIDS ou de outras condições de saúde que reduzem a imunidade à doença.

 

[14] Carcinógenos conhecidos e prováveis. Sociedade Americana de Cânce https://www.cancer.org/cancer/cancer-causes/general-info/known-and-probable-human-carcinogens.html [Acesso em 10.07.2018]

Sinais e sintomas de câncer

 

Com tantos tipos diferentes de cânceres, os sintomas são variados e dependem da localização da doença. Entretanto, existem sinais e sintomas importantes que devem ser observados:

Nódulos ou inchaços incomuns – nódulos cancerosos são normalmente indolores e podem aumentar de tamanho à medida que o câncer progride.

Tosse, falta de ar ou dificuldade de engolir – fique atento a episódios persistentes de tosse, falta de ar ou dificuldade para deglutir.

Mudança no hábito intestinal – como prisão de ventre e diarreia e/ou sangue nas fezes.

Sangramento inesperado – incluindo sangramento vagina, pela passagem anal ou sangue nas fezes, urina ou quando se tosse.

Perda de peso inexplicável – grande perda de peso inexplicável e involuntária em curto período de tempo (alguns meses).

Fadiga – que se mostra como cansaço extremo e grande falta de energia. Se a fatiga for devido ao câncer, os indivíduos também apresentarão outros sintomas.

Dor ou desconforto – inclui dores inexplicáveis ou constantes, ou dores que vem e vão.

Sinais novos de pele ou alterações em um sinal – observe mudanças de tamanho, forma ou cor, se o sinal se escama, sangra ou produz secreções.

Problemas ao urinar – inclui a necessidade de urinar urgentemente e mais frequentemente, ou não conseguir quando tem vontade e/ou sentir dor quando urinar.

Alterações incomuns nas mamas – observe mudanças no tamanho, forma ou sensação, alterações na pele e dor.

Perda de apetite – sentir menos fome do que o normal por um período de tempo prolongado.

Ferida ou lesão que não cicatriza – inclusive pinta, ferida ou ulceração na boca.

Azia ou indigestão – azia ou indigestão persistente ou dolorosa.

Sudorese noturna intensa – observe sudoreses noturnas intensas e abundantes.

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Prevenção do câncer

Mais de um terço de todos os cânceres podem ser prevenidos com a redução da exposição aos fatores de risco como tabaco, obesidade, inatividade física, infecções, álcool, poluição ambiental, agentes cancerígenos no ambiente de trabalho e radiação.

A prevenção de determinados cânceres também pode ser eficaz com a vacinação contra o vírus da hepatite B (HBV) e contra o papilomavírus humano (HPV), que ajuda a proteger contra o câncer de fígado e câncer cervical uterino, respectivamente.

Reduzir as exposições a outros agentes cancerígenos, como poluição ambiental, agentes cancerígenos no ambiente de trabalho e radiação, pode ajudar a prevenir outros cânceres.

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Detecção precoce do câncer

Existem diversos cânceres que podem ser identificados precocemente para aumentar as probabilidades de sucesso no tratamento, normalmente com menores custos e menos efeitos colaterais, ou efeitos menos significativos para os pacientes. Existem exames acessíveis que ajudam a detectar precocemente o câncer do cólon, mama, cervical e oral, e exames para outros cânceres estão em desenvolvimento.

Consulte seu médico para ser orientado sobre as recomendações do seu país sobre vacinas, testes e exames. Elas variam de país para país.

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Estadiamento do câncer

A classificação do câncer de acordo com a extensão anatômica da doença, ou seja, o estágio, é essencial para o cuidado do paciente, pesquisa e controle do câncer. O sistema de estadiamento TNM da UICC é a linguagem comum adotada por profissionais da área de saúde ligados à oncologia para a comunicação da extensão do câncer aos pacientes. Depois de conhecido e entendido, normalmente, o estágio do câncer é a base para a decisão do tratamento apropriado e prognóstico individual. Também pode ser usado para informar e avaliar orientações de tratamento. Além disso, estabelece informações vitais para que autoridades responsáveis desenvolvam ou implantem controles, planejamento de prevenção e pesquisa do câncer.

A classificação TNM enfatiza a extensão anatômica do tumor e é determinada pela avaliação das seguintes categorias:

  • T descreve o tamanho do tumor principal (primário)
  • N descreve se o câncer se espalhou para linfonodos próximos
  • M descreve se o câncer tem ou não metástases (o tumor primário se espalhou para outra parte do corpo)

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Controle e tratamento do câncer

Seu tratamento depende do tipo, localização e tamanho do câncer, se ele se espalhou ou não e da sua saúde geral. Os tipos comuns de tratamentos são: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia de reposição hormonal, imunoterapia e terapia gênica.

Cirurgia

Se o câncer não tiver metástases (não se espalhou), a cirurgia pode remover todo o câncer, o que pode curar a doença completamente. Normalmente, a cirurgia é eficaz na remoção da próstata, mama ou testículo.

Radioterapia

O tratamento com radiação, ou radioterapia, usa raios de alta energia para reduzir o tamanho do tumor ou destruir células do câncer como tratamento independente e, em alguns casos, combinado com outros tratamentos oncológicos.

Quimioterapia  

A quimioterapia usa substâncias químicas para interferir na forma como as células se dividem, danificando o DNA, de forma que as próprias células cancerosas se destruam. Esses tratamentos têm como alvo qualquer célula que se divide rapidamente, não necessariamente apenas as células de câncer; mas células normais podem se recuperar dos danos induzidos por qualquer substância química, enquanto as células de câncer não. Geralmente, a quimioterapia é usada para tratar o câncer que se espalhou, ou com metástase, pois os remédios percorrem todo o corpo. É um tratamento necessário em algumas formas de leucemia e linfoma.

Imunoterapia  

A imunoterapia usa o próprio sistema imunológico do corpo para combater o tumor canceroso. A imunoterapia pode tratar o corpo inteiro ao introduzir um agente que diminui tumores.

Terapia de reposição hormonal

Diversos cânceres foram relacionados a alguns tipos de hormônios, entre eles o câncer de mama e de próstata. A terapia de reposição hormonal atua na mudança da produção de hormônios no corpo para que células cancerosas parem de crescer ou sejam destruídas completamente.

Terapia gênica

O objetivo da terapia gênica é substituir genes danificados por genes que tratem a causa raiz do câncer: danos no DNA. Outras terapias que usam genes têm foco em danificar ainda mais o DNA de células de câncer até o ponto em que as próprias células se destruam. Entretanto, a terapia gênica é nova e ainda não resultou em tratamentos bem-sucedidos.

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Sobrevivência  

A sobrevivência foca na saúde e nas questões físicas, psicológicas, sociais e econômicas que afetam pessoas depois do fim do tratamento primário contra o câncer, inclusive pessoas que não têm mais a doença depois de terminar o tratamento, pessoas que continuam a receber tratamento para reduzir o risco da volta do câncer e pessoas com a doença controlada satisfatoriamente e com poucos sintomas, que recebem tratamento para controlar o câncer como doença crônica. O cuidado de sobrevivência inclui questões relacionadas a cuidados de acompanhamento, controle de efeitos colaterais depois do tratamento, aprimoramento da qualidade de vida e da saúde psicológica e emocional. O cuidado de sobrevivência também inclui futuro tratamento contra o câncer, se for o caso. Membros da família, amigos e cuidadores também são considerados parte da experiência de sobrevivência.

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Tratamento paliativo

O cuidado paliativo ocorre durante a jornada do paciente desde o diagnóstico à cura ou fim da vida, e foi elaborado para aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Pode ser usado para responder a sintomas incômodos, como dor ou enjoos, e também para reduzir ou controlar os efeitos colaterais dos tratamentos contra o câncer. No câncer avançado, o tratamento paliativo poderá ajudar o paciente a viver mais tempo e mais confortavelmente, mesmo se não for curado.

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